06 janeiro 2011


O partido do ministro, PMDB, está rebelado e ameaça elevar o salário mínimo. Esse amor súbito aos aposentados eclodiu na briga por cargos em várias áreas. Cada ponto percentual a mais do salário mínimo significa meio ponto a mais no custo da Previdência.

É por isso que o assunto não deveria ser forma de barganhar cargos. E por falar nisso: os cargos da Previdência não deveriam ser moeda de troca. Técnicos sem ambições políticas podem ter mais destreza - e objetividade - na tarefa de descascar o abacaxi.

Alguns supostos entendidos de previdência dirão que não existe déficit no sistema brasileiro. Isso é tão verdadeiro quanto dizer que a casca do abacaxi não espeta. Para chegar nesse resultado sem déficit, a proposta que fazem é que se retire da conta os que recebem aposentadoria rural, porque eles não recolheram.

Ora, a aposentadoria dos trabalhadores do setor rural é, obviamente, parte do sistema previdenciário, tenham eles no passado contribuído ou não. Não há mágica: a Previdência tem déficit em torno de R$ 45 bilhões só no INSS.

O ministro também deveria conversar com o IBGE, nosso excelente Instituto de Estatística, para conferir os dados do novo censo. Eles surpreenderam porque a queda do número de filhos, por mulher, foi mais rápida do que o previsto. Menos de dois filhos, em média, o que nem repõe a população. Nisso, a nossa presidente é uma mulher à frente do seu tempo. Teve, apenas, a Paula. Pois bem, essa é uma tendência irreversível.

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