Singrava com amor pelos mares
Qual enfunado e célere veleiro,
Movido por encantados ares
Nas ondas deslizava altaneiro.
Mas fez-se negro o horizonte,
Vagalhões de ira se levantam,
Derrubam o capitão da ponte,
O riso dos grumetes espantam!
Uivam palavras tempestuosas,
Rancores desabam em procelas,
As mágoas respingam amargosas,
Ferem o casco, rasgam as velas!
Para duras pedras de solidão
Arrastam o navio vencido,
Desatam as cordas do coração,
Afundam-no sem um dó sentido!
Náufrago, no escuro eu nadei
Sem a tábua para me segurar,
Foi quando bem ao longe escutei
O som de única voz a cantar.
Sereia!, pensei, é o triste fim!
O corpo de lágrimas salgado
Da dor terá o alívio, enfim,
No alfanje do temido fado!
Qual não foi minha surpresa, porém,
Vendo que as nuvens se abriam,
Que o mar se acalmava também,
Que lua e estrelas me sorriam!
O canto era doce mensagem
De uma flor que na ilha eu vi,
Sedento de tão longa viagem
Em suas pétalas mel eu bebi!
Hoje vivo em feliz paraíso,
Águas calmas e branca areia.
De manhã, acordo, um sorriso,
À noite me canta a sereia!
Homero (A Odisséia)
A QUEM INTERESSAR POSSA!
17 setembro 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
RSS Feed
Twitter

Nenhum comentário:
Postar um comentário