17 setembro 2007

ENCANTO, NÃO SE ENCANTE (MAIS) COM "O CANTO DA SEREIA"!

Singrava com amor pelos mares
Qual enfunado e célere veleiro,
Movido por encantados ares
Nas ondas deslizava altaneiro.

Mas fez-se negro o horizonte,
Vagalhões de ira se levantam,
Derrubam o capitão da ponte,
O riso dos grumetes espantam!

Uivam palavras tempestuosas,
Rancores desabam em procelas,
As mágoas respingam amargosas,
Ferem o casco, rasgam as velas!

Para duras pedras de solidão
Arrastam o navio vencido,
Desatam as cordas do coração,
Afundam-no sem um dó sentido!

Náufrago, no escuro eu nadei
Sem a tábua para me segurar,
Foi quando bem ao longe escutei
O som de única voz a cantar.

Sereia!, pensei, é o triste fim!
O corpo de lágrimas salgado
Da dor terá o alívio, enfim,
No alfanje do temido fado!

Qual não foi minha surpresa, porém,
Vendo que as nuvens se abriam,
Que o mar se acalmava também,
Que lua e estrelas me sorriam!

O canto era doce mensagem
De uma flor que na ilha eu vi,
Sedento de tão longa viagem
Em suas pétalas mel eu bebi!

Hoje vivo em feliz paraíso,
Águas calmas e branca areia.
De manhã, acordo, um sorriso,
À noite me canta a sereia!

Homero (A Odisséia)

A QUEM INTERESSAR POSSA!

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